sábado, 12 de fevereiro de 2011

Excitante Cairo

“Isto é o Cairo!... Distante, Cairo! Excitante, Cairo! Apaixonante!...” cantarolava Bassam de quando em vez, alegremente, durante os oitos dias em que me acompanhou por todo o Egipto. Desde a fronteira com o Sudão, no Sul, até Alexandria, no norte junto ao Mediterrâneo, passando pela mega metrópole, o Cairo, Bassam foi o nosso guia turístico.

Nasceu junto ao Nilo, mas foi em Portugal que ouviu pela primeira vez o tema dos Táxi, de 1982. Estudou em Lisboa, onde de licenciou. Fã da pátria lusa, falava português fluentemente e com frequência recordava sítios que lhe deixavam saudades: Sintra, Alfama, Évora, Praia das Maçãs. A camisola 7, do Luis Figo, era uma das várias da selecção nacional que envergou naquela semana, enquanto nos explicava histórias de reis, rainhas e faraós. A milhares de quilómetros de distância do meu país, sentia-me em casa. Nilo acima, num barco repleto de tugas com a bandeira nacional hasteada, cantava-se “a portuguesa” à mesa, por entre ondas e outros cânticos. Bassam estava sempre lá. Sempre com um sorriso, este foi um dos guias mais simpáticos das minhas viagens.

O Egipto é impressionante. Pelo calor. Pela história. Pela paisagem. Pela cultura. Pela diferença. Guardo a imagem de um país pobre, mas calmo, seguro, amistoso.

Entretanto, pela televisão chegam imagens de revolução, morte, inquietação. Tal como a Tunísia e a Argélia, ali vivem-se momentos de mudança. As oligarquias, regimes ditatoriais, democracias militarizadas ou estados policiais, como lhes queiram chamar, pelo menos naquela parte do mundo, parecem estar perto de um “game over”.

Esta Afrorevolution tenta por fim à corrupção extrema, em que a riqueza fica toda concentrada numa só família. Segundo notícias, Mubarak terá uma fortuna pessoal avaliada em mais de 50 milhões de euros, propriedades, apartamentos por toda Europa e América, contas bancárias na Suíça, sabe-se lá o que mais… enquanto o povo egípcio está na miséria.

No coração do Cairo, a maior cidade de África (25 milhões de habitantes), a “Cidade dos Mortos” é um fiel retrato desta realidade. É um cemitério onde vivem cerca de um milhão de pessoas. Os velhos jazigos dão tecto a famílias inteiras em situação de pobreza extrema. Aqui até existem escolas e hospitais. Macabro.

No entanto, o Egipto é um país rico em recursos. As portagens do canal do Suez, por onde circula todo o tráfego marítimo entre a China, Ásia, e a Europa e Estados Unidos, são a principal fonte de receitas do país. Seguem-se o petróleo, a agricultura (só 6% do Egipto é fértil) e o turismo. Onde é que já vi este filme de riqueza mal distribuída…

Mas a paciência tem limites e a Internet deu uma ajuda a passar mensagem. Facebook e Twitter foram os principais canais dos mentores de uma revolução que se queria pacífica. Apesar do ridículo corte da Internet, no dia 28 de Janeiro, os protestos mantiveram-se. Má notícia para os países europeus que lucraram com negócios com os ditadores. O povo libertou-se. O Egipto é livre. Onde estará Bassam?

Fotos da era Mubarack (2005):










quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O regresso do rei


Um professor obcecado por tejadilhos de automóveis. Um poeta triste. Um madeirense corajoso, ou talvez louco, que adoptou uma viatura funerária como carro oficial de campanha. Um comunista fiel. Um ex-autarca de Viana de Castelo que só faz campanha em Viana do Castelo, e que provavelmente só terá votos em Viana do Castelo. O candidato Vieira, que não chegou a ser (um homem que prometia um Ferrari para cada português, vinho tinto canalizado em todo o país, e que desistia se fosse eleito, escreveu e compôs a música do hino oficial da campanha que nunca chegou à estrada).

Finalmente, o mais nobre dos candidatos, o Fernando. Homem de causas, médico, fundador e Presidente de uma das organizações não governamentais mais bem sucedidas do mundo – a AMI. Sem ligações a partidos. Lidera um movimento de cidadania bem-intencionado. Desconhece-se que tenha feito publicidade a bancos, ou negócios menos claros. Está fora do sistema que parece corromper. Parece ser o mais sério candidato ao lugar, embora sem o dom da retórica que se exige a um alto representante da nação.

Eis as presidenciais. Candidatos incapazes de transmitir qualquer espécie de energia positiva, a não ser aquele que nunca chegou a ser. Poucas ideias. Ataques pessoais. Revelações surpreendentes. Pelas conversas que se ouvem pelos cafés calcula-se que a maioria, à primeira volta, vá para o candidato que menos dinheiro gastou na campanha - a abstenção.

Até mesmo a cobertura jornalística ficou além das expectativas. Confesso que já tenho saudades dos gatos fedorentos, que tão bem esmiuçaram as últimas legislativas.

Agora importa saber se compensa ao país toda esta despesa num acto eleitoral para um cargo cada vez mais vazio de poderes. A chamada magistratura de influência não é mais do que um gasto supérfluo para este pobre país, que faz vida de rico.

Talvez uma Monarquia fosse mais rentável. Em 100 anos, o tempo que nos separa desse momento triste do regicídio, o que não tínhamos poupado em actos eleitorais. Em campanhas pagas com o dinheiro dos contribuintes. Tal como a Espanha e o Reino Unido, agora teríamos uma família real. Reis, rainhas, príncipes, e princesas. Agrada-me muito mais esta ideia. E talvez fosse uma mais-valia para os cofres públicos. Contas feitas, os gastos da presidência da república dariam para manter esta família, que seria a nossa marca. A nossa mascote. Uma atracção turística. No aeroporto da portela teríamos lojas de merchandising com bonequinhos do D. Duarte.

Voto no regresso do rei.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

U2: um mundo perfeito



Por muito que a humanidade se esforce, é difícil alcançar a perfeição neste mundo. Haverá sempre injustiça, fome, inveja, crime, desemprego, especulação, crise. E também o inverso. Trabalho, alegria, amizade, sucesso. Haverá sempre altos e baixos. O bom e o mau. Como cantam os U2, “some days are better than others”…. Embora todos os dias nos esforcemos para alcançar a felicidade plena. O que é não é fácil. Aqueles dias perfeitos, perfeitos, são raros. Mas existem. Dias de felicidade. Dias em que nos deixamos flutuar invadidos por uma onda positiva. Um mar de sensações inesquecíveis. São assim os dias U2.

Coimbra, 3 de Outubro de 2010. “Briosa! Briosa!” Bono Vox iniciava uma noite de magia em que precisamente o brio esteve mais do que presente em todo o espectáculo. Donos de uma generosidade imensa, os U2 dão tudo o que têm em palco. Bono canta. Bono comunica. Bono dança. Anima o público. Defende causas humanitárias. Interpreta até temas de outras bandas como ninguém. Perfeito. The Edge faz soar a guitarra até nos transportar a outra dimensão. Perfeito. A secção rítmica – Larry (bateria) e Adam (baixo) encaixam. Na perfeição. Os velhos hinos transformam-se. O palco é singular. Alienígena. Os nossos sentidos estão ao rubro. Estava lá o melhor da luz, do som e da tecnologia. Os 4 magníficos estavam lá! E eis que de repente surge uma luz a 50 metros de altura. Divina. Imponente. Como que se fossemos abençoados. Aquele êxtase colectivo poderia durar para sempre. “Until the end of the world…” Tudo perfeito.

Em 1993, valeu a pena esperar na fila, à porta do Estádio de Alvalade, pela abertura das portas. Valeu a pena correr para conseguir um lugar lá à frente, junto ao palco. Valeu a pena esperar cinco horas em pé, pelo início do concerto. Em 1997, valeu a pena o frio. Valeram a pena os escudos gastos. Treze anos depois, valeram a pena. As horas passadas ao computador para conseguir bilhete. Os milhares de cliques no rato. A viagem sob chuva torrencial. Os euros gastos. A comida fast-food do centro comercial.

Porquê?

Porque durante duas horas, o mundo foi perfeito.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Menina Bonita


É bela. Sabe o que quer. Simpatia contagiante. Ousada e consciente. Madura e decidida. Uma diva. Princesa.

O seu traço embriaga. Apaixona. Como se de uma força superior se tratasse, atrai a si todos os seres que contemplam a sua forma. É quase uma religião. Uma fé. Um corpo abençoado pelas entidades divinas. Humildemente superior. Lindo! Na sua alma escorre o suor dos fiéis amantes, dos largos fãs que suspiram. Mensagens espalham pelo mundo uma beleza explosiva, qual diamante por lapidar. É arte!

A força do seu carácter brota da sua simplicidade. Da pequenez faz uma imensidão. Da natureza a sua vaidade. As suas águas rebentadas carregam estórias. As lágrimas são de sangue. De heróis. Ainda guarda segredos por revelar. Lendas por contar. Dos rios. Dos lugares. Das guerras.

Cavaleiros defenderam o seu nome. Contra mouros. Por Portugal. À média luz se escrevem as suas páginas na história. Conquistas irreais. Gigantes. Feitos sem igual.

As mãos que moldam a sua existência resistem. Gente singela. Os seus campos ávidos de humanidade nadam contra a corrente. Imóveis.

Mil ventos empurram as folhas pelos recantos da sua figura escultural. Calam-se as árvores para ouvir o bater das aves encarriladas no seu leito. A solidão acalma. O silêncio rejuvenesce. Caminhos lúcidos percorrem a sua mente. Olha para trás feliz. Pensa. Aguarda por um futuro risonho.

As suas feridas estão curadas. O seu brilho em tempos ofuscado reluz outra vez. É grande. É novamente feliz. Ela sonha. Faz acreditar. Cresceu para se tornar rainha. Do Tejo.

Uma mulher. Uma terra. Um sorriso. Barquinha.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Concurso de Fotografia


Atenção fotógrafos: preparem as objectivas.
Vem aí um concurso de fotografia com 10.000 euros em prémios.
Estejam atentos em http://www.unitedphotopress.com/